Ou talvez seja, mas sobre amor próprio. Hoje lembrei que tem pouco mais de sete meses que o relacionamento que eu tive durante quase metade da minha vida acabou.
Diferente de quando eu lembrava antes, a cada semana ou mês que se passava, dessa vez, eu não senti tristeza, angústia ou qualquer outro sentimento que eu não podia definir.
Talvez eu não saiba ainda definir completamente o que me passa agora, mas é por ser um misto de sensações boas, que se confundem umas com as outras e se transformaram no sorriso aliviado que eu dei hoje me olhando no espelho, pensando que deveria transformar ele em palavras.
Durante os últimos meses meu sorriso não aparecia mais com tanta frequência. Quando se mostrava era para esconder uma avalanche de situações que estavam acontecendo dentro de mim.
Era impossível organizar tantos pensamentos quando eles apareciam de uma só vez, derrubando tudo o que tinha pela frente. Muitas vezes eu só ficava observando eles, mas cometia o erro de me deixar ouvi-los. Eram tão fortes e gritavam tanto que me enfraqueceram.
Durante um determinado momento me deixaram, literalmente, sem forças para fazer a mais simples atividades que eu era acostumado. De ouvir música a estudar, de pedalar a trabalhar. Nada mais me fazia ter prazer. Esse momento eu defino como fundo do poço.
Fiquei lá dentro quietinho durante alguns dias até alguém perceber que alguma coisa não estava certa. Uma ou outra amiga percebeu. Sempre fui duro na queda, nunca expus muito meus sentimentos, sobretudo, em relação a isso.
Mas ainda bem que elas perceberam e me deram a mão para me tirar dali. Me deram a mão e também carona até a primeira sessão de terapia. Aquele foi o primeiro dia que eu senti que a vida é feita de recomeços. Senti, mas ainda ia demorar um pouco para, de fato, começar o meu.
Depois do tempo dentro desse poço, que eu jamais quero passar nem perto para não cair de novo, os dias foram passando mais acelerados e a vida acontecendo.
Existia ainda uma espécie de remorso, uma sensação de que eu estava fazendo alguma coisa errada ao viver o que a nova vida proporcionava. Isso não me deixou viver certos momentos plenamente.
Mas entendi que é assim mesmo: preciso sentir para saber lidar. Isso inclui tomar decisões certas e também erradas. Me permitir.
Mais de sete meses depois tô aqui olhando para trás, com um olhar de paz, escrevendo sobre isso sem doer. Devo dizer que, quase ninguém sabe, mas escrever também me dá prazer.
Ter prazeres, viver, recomeçar quantas vezes for preciso é o que eu quero daqui para a frente. Aprender e reaprender, até para não cometer os mesmos erros.
Vou terminar esse texto sem um fechamento mais elaborado, porque, na verdade, este não é o fim dele. Não é o fim da minha história. Amanhã ela continua, continua e continua...
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