terça-feira, 31 de janeiro de 2023

 

Quero te dar um presente
Algo diferente 
Fora do comum
Que não se misture com aqueles que você
nunca abriu, não gostou ou perdeu
Algo, verdadeiramente, raro
 
Quem sabe 
o Mar de Estrelas de Maldivas
Mas é que aquele intenso azul de lá
não me parece tão bonito
quanto a cor que vejo
dentro do seu olhar

Marcar minha pele, talvez
Com algo que me lembre de você
Ainda que fosse 
o mais bonito dos diamantes 
Se apenas uma falha você encontrar
algum dia, sei que
eu precisaria apagar

Um presente comparado a lua
pra quando a noite chegar
Aquele brilho iluminar
Tal qual o seu sorriso
a escuridão de qualquer lugar
 
Há de ter também
a simplicidade de um poema
que mesmo que eu não encontre
as palavras certas para rimar...
Não! Para! Outro poema, não!
Seriam só mais versos
entre tantos, tantos e tantos
que eu já te fiz
 
Eu só quero te dar um presente
que você abra e chore
Que dessa vez
Você não consiga fingir que estar feliz 

Algo tão raro assim
nem sei se há
mas por você, meu neném
não descansarei até encontrar
 

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

DUALIDADE

Quando os motivos que 

me fazem querer ficar

São os mesmos que 

te fazem querer ir


Mas o que você talvez não saiba

meu bem

é que eu já aprendi na prática

que algumas histórias de amor

não têm um final feliz. 

 


sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Alma Livre


1376 quilômetros podem separar 
desejo, vontade e querer
mas se eu fecho os olhos
continuo a imaginar 
tudo aquilo que faltou ser
 
Meu único erro foi acreditar
que quando a solidão
Insistisse em aqui chegar
Para perto Dela
Eu poderia viajar
 
Mas quando a saudade apertar
vou subir no alto do Farol
para lembrar que em algum lugar
na imensidão do mar
aquela Alma Livre vai estar.

Sim, eu gosto de você

E gosto das manhãs com você

Da sua cara amassada

Do cabelo bagunçado

Do bico que faz porque não vai dormir mais


Sim, eu gosto de você

E gosto de fazer café para você

De te levar para casa

E de me atrasar para chegar ao trabalho

Porque fiz o percurso devagar para olhar para você


Sim, eu gosto de você

E gosto de dormir com você

Do cheiro que deixa no travesseiro

Da forma que aperta meus dedos

E do meu braço adormecido a noite toda

Porque não quis me desfazer do teu abraço


Sim, eu gosto de você

Só não gosto de estar distante de você

Então, hoje eu contei

E ainda faltam cinco dias e meio para a sua volta

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

ESTA NÃO É MAIS UMA CARTA DE AMOR

Ou talvez seja, mas sobre amor próprio. Hoje lembrei que tem pouco mais de sete meses que o relacionamento que eu tive durante quase metade da minha vida acabou.

Diferente de quando eu lembrava antes, a cada semana ou mês que se passava, dessa vez, eu não senti tristeza, angústia ou qualquer outro sentimento que eu não podia definir.

Talvez eu não saiba ainda definir completamente o que me passa agora, mas é por ser um misto de sensações boas, que se confundem umas com as outras e se transformaram no sorriso aliviado que eu dei hoje me olhando no espelho, pensando que deveria transformar ele em palavras.

Durante os últimos meses meu sorriso não aparecia mais com tanta frequência. Quando se mostrava era para esconder uma avalanche de situações que estavam acontecendo dentro de mim.  

Era impossível organizar tantos pensamentos quando eles apareciam de uma só vez, derrubando tudo o que tinha pela frente. Muitas vezes eu só ficava observando eles, mas cometia o erro de me deixar ouvi-los. Eram tão fortes e gritavam tanto que me enfraqueceram.

Durante um determinado momento me deixaram, literalmente, sem forças para fazer a mais simples atividades que eu era acostumado. De ouvir música a estudar, de pedalar a trabalhar. Nada mais me fazia ter prazer. Esse momento eu defino como fundo do poço.

Fiquei lá dentro quietinho durante alguns dias até alguém perceber que alguma coisa não estava certa. Uma ou outra amiga percebeu. Sempre fui duro na queda, nunca expus muito meus sentimentos, sobretudo, em relação a isso.

Mas ainda bem que elas perceberam e me deram a mão para me tirar dali. Me deram a mão e também carona até a primeira sessão de terapia. Aquele foi o primeiro dia que eu senti que a vida é feita de recomeços. Senti, mas ainda ia demorar um pouco para, de fato, começar o meu.

Depois do tempo dentro desse poço, que eu jamais quero passar nem perto para não cair de novo, os dias foram passando mais acelerados e a vida acontecendo.

Existia ainda uma espécie de remorso, uma sensação de que eu estava fazendo alguma coisa errada ao viver o que a nova vida proporcionava. Isso não me deixou viver certos momentos plenamente.

Mas entendi que é assim mesmo: preciso sentir para saber lidar. Isso inclui tomar decisões certas e também erradas. Me permitir.

Mais de sete meses depois tô aqui olhando para trás, com um olhar de paz, escrevendo sobre isso sem doer. Devo dizer que, quase ninguém sabe, mas escrever também me dá prazer.

Ter prazeres, viver, recomeçar quantas vezes for preciso é o que eu quero daqui para a frente. Aprender e reaprender, até para não cometer os mesmos erros.

Vou terminar esse texto sem um fechamento mais elaborado, porque, na verdade, este não é o fim dele. Não é o fim da minha história. Amanhã ela continua, continua e continua...          

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O Poeta Aqui Dentro


Um lápis na mão e um sorriso aberto.
Ouço apenas o som do vento,
não há mais ninguém por perto,
então, escrevo.

Quando o amor vira mais que um sentimento,
uma manifestação sem qualquer argumento,
ainda que sem entendimento,
eu escrevo.

Mas quando as palavras certas eu não encontrar,
vou me lembrar da voz que soava aqui dentro.
Ela dizia que para ser um bom poeta é preciso juntar,
além de lápis na mão, papel e imaginação,
sentimentos que precisam se libertar.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Esta ainda é uma carta de amor

Te conheci numa praça segurando um copo de vinho, fazendo parte de uma roda de amigos que não eram os meus. O cenário poderia ser bem mais romântico caso você estivesse tocando violão, fumando um cigarro ou agindo de alguma forma que, assim como em outros caras, me despertasse o interesse. Mas não, o cenário não era esse e, além disso, você não era meu tipo. Eu também não era o seu e talvez esse foi o motivo da nossa conexão. 

Iniciamos o namoro, eu com 18 e você com 17. Pensando bem - e olhando nossa primeira foto - percebo que éramos duas crianças. Até as nossas atitudes eram infantis e é possível comprovar relembrando alguns fatos daquele tempo. Eram atitudes que tinham tudo para nos afastar, mas ocorreram de forma contrária. E mesmo sem externar o que sentíamos de forma romântica, como naquela história de John Green que você gosta, estávamos nos amando. 

Passaram-se, então, horas incontáveis, dias, meses, sete anos. Nesse tempo, vimos todos os filmes, fizemos viagens, arriscamos algumas receitas, fomos as missas e também deixamos de ir  (Amém). Ainda que em casas separadas, morávamos juntos. Escolhemos os móveis, lavamos os pisos, fizemos mudanças, martelamos pregos e também os dedos. Compramos um quadro, adotamos um cachorro e até um gato. E que sorte a nossa tê-los como filhos, que sorte a deles tê-lo como pai. 

Um dia terminamos, mas voltamos no outro. E esse vai-e-vem se repetiu e repetiu. Até que percebi que não poderia se repetir novamente, pois estava afetando e desconstruindo as memórias e gestos que, com tanto esforço, foram construídos ao longo do tempo. Decidi, assim, encarar o que meu coração ordenava, pois como sempre foi, ele nunca me ouviu. 

Ainda que sem ter respostas firmes para as perguntas que encararia dos conhecidos - e dos desconhecidos - como: "Onde ele está?" "Porque?" "O que houve?",  tentava explicar da melhor forma, pois era algo que eu também não entendia.  Por isso, me sentia mal. Não compreendia como seria possível querer outra vida que não fosse aquela citada no início. No entanto, hoje finalmente descobri. Com isso, uma lágrima escorreu indo bem em direção a um sorriso de alegria que também surgiu em meu rosto. Porque hoje percebi que vivi um grande amor, coisa rara de se encontrar nessa vida!

Então, essa profunda felicidade foi por entender que mesmo não sendo para o resto da nossa existência, esse amor foi vivido como se fosse para sempre. E sei que não estará guardado apenas na nossa memória, mas em nosso coração. Ele estará registrado também em fotos, palavras, músicas, poesias e até em um livro. Uau! Que sorte ter vivido tudo isso! Que alegria saber que vivi um grande amor. Uma experiência plena e que não faltava mais nada.

Estou muito feliz em perceber que, por não faltar mais nada, vamos conseguir olhar pra trás e só enxergar coisas bonitas, que nos vão encher de orgulho sempre. Vamos ver que todos os sentimentos que existiram antes se transformaram em gratidão e, finalmente, vamos poder sempre dizer, sem qualquer dúvida, que vivemos um grande amor na vida!

Então, meu amor, para que tudo isso permaneça desse jeitinho dentro de mim e de você, agora, precisamos ir...