terça-feira, 20 de junho de 2017

Esta ainda é uma carta de amor

Te conheci numa praça segurando um copo de vinho, fazendo parte de uma roda de amigos que não eram os meus. O cenário poderia ser bem mais romântico caso você estivesse tocando violão, fumando um cigarro ou agindo de alguma forma que, assim como em outros caras, me despertasse o interesse. Mas não, o cenário não era esse e, além disso, você não era meu tipo. Eu também não era o seu e talvez esse foi o motivo da nossa conexão. 

Iniciamos o namoro, eu com 18 e você com 17. Pensando bem - e olhando nossa primeira foto - percebo que éramos duas crianças. Até as nossas atitudes eram infantis e é possível comprovar relembrando alguns fatos daquele tempo. Eram atitudes que tinham tudo para nos afastar, mas ocorreram de forma contrária. E mesmo sem externar o que sentíamos de forma romântica, como naquela história de John Green que você gosta, estávamos nos amando. 

Passaram-se, então, horas incontáveis, dias, meses, sete anos. Nesse tempo, vimos todos os filmes, fizemos viagens, arriscamos algumas receitas, fomos as missas e também deixamos de ir  (Amém). Ainda que em casas separadas, morávamos juntos. Escolhemos os móveis, lavamos os pisos, fizemos mudanças, martelamos pregos e também os dedos. Compramos um quadro, adotamos um cachorro e até um gato. E que sorte a nossa tê-los como filhos, que sorte a deles tê-lo como pai. 

Um dia terminamos, mas voltamos no outro. E esse vai-e-vem se repetiu e repetiu. Até que percebi que não poderia se repetir novamente, pois estava afetando e desconstruindo as memórias e gestos que, com tanto esforço, foram construídos ao longo do tempo. Decidi, assim, encarar o que meu coração ordenava, pois como sempre foi, ele nunca me ouviu. 

Ainda que sem ter respostas firmes para as perguntas que encararia dos conhecidos - e dos desconhecidos - como: "Onde ele está?" "Porque?" "O que houve?",  tentava explicar da melhor forma, pois era algo que eu também não entendia.  Por isso, me sentia mal. Não compreendia como seria possível querer outra vida que não fosse aquela citada no início. No entanto, hoje finalmente descobri. Com isso, uma lágrima escorreu indo bem em direção a um sorriso de alegria que também surgiu em meu rosto. Porque hoje percebi que vivi um grande amor, coisa rara de se encontrar nessa vida!

Então, essa profunda felicidade foi por entender que mesmo não sendo para o resto da nossa existência, esse amor foi vivido como se fosse para sempre. E sei que não estará guardado apenas na nossa memória, mas em nosso coração. Ele estará registrado também em fotos, palavras, músicas, poesias e até em um livro. Uau! Que sorte ter vivido tudo isso! Que alegria saber que vivi um grande amor. Uma experiência plena e que não faltava mais nada.

Estou muito feliz em perceber que, por não faltar mais nada, vamos conseguir olhar pra trás e só enxergar coisas bonitas, que nos vão encher de orgulho sempre. Vamos ver que todos os sentimentos que existiram antes se transformaram em gratidão e, finalmente, vamos poder sempre dizer, sem qualquer dúvida, que vivemos um grande amor na vida!

Então, meu amor, para que tudo isso permaneça desse jeitinho dentro de mim e de você, agora, precisamos ir...